- Onde começa a história de Sir Scratch? Sir Scratch - A historia de Sir Scratch, é uma história que começa sem data certa. Mas começou mais ou menos nos meus 12 / 13 anos, quando eu comecei a cantar e a fazer freestyles com o meu irmão. O grupo ainda não era Plunasmo, chamava-se PSM, eramos para aí uns 4. Foi mais ou menos nessa altura em que fazia rimas com eles e andávamos aí em escolas a fazer cenas e daí foi desenvolvendo até agora. - Actualmente, a tua história progride fora de Portugal. Como e quando aconteceu esse passo? Sir Scratch - Quando eu acabei o 9º ano e o meu irmão tinha acabado o 12º ano de escolaridade, fomos para Londres à procura de outras oportunidades na escola. Ficámos lá, o meu irmão conseguiu um curso de design, mas eu na altura não entrei na escola. Então fui para a Irlanda, que eu tinha lá familia, e consegui entrar naquele ano e tirei um curso de música... Gostei daquilo, já se passaram quase 6 anos e eu estou a gostar daquilo. Não me impediu de lançar o meu álbum, uma vez que já conhecia aqui pessoal (Bomberjack e etc..). Lancei e tenho vindo constantemente para fazer concertos. - Diz-nos como vês os frutos dessa tua decisão, certamente, a longo prazo, vai ser uma grande mais valia? Sir Scratch - Sim, acho que são outras experiências, se calhar deu-me uma visão diferente do Hiphop Nacional. Às vezes dá-me gosto estar longe, há sempre aquelas saudades, aquele sentimento que eu via antigamente não desaparece. Eu sinto que as pessoas que estão cá, às vezes sentem-se fartos do movimento e assim, mas eu continuo sempre a sentir aquela cena antiga e acho que valeu a pena. E não só, a escola também valeu a pena, tenho outras oportunidades, já tive a trabalhar com outros artistas de lá e é sempre melhor estar com o trabalho mais expandido do que estar só a trabalhar aqui em cenas nacionais. - Este album foi feito à distancia, mas já vieste várias vezes a portugal propositadamente para promover o àlbum.. Por isso mesmo acredito que tudo se torne mais intenso. Que tipo de reacções guardas de volta? Sir Scratch - O álbum até foi gravado cá, foi todo trabalhado lá, escrita e etc, e na hora de gravação vim cá um mês de férias e tivémos em estúdio para aí uma ou duas semanas a gravar. É sempre bom estar longe do país, sem ter a noção da sensação que eu vou ter num concerto, como é que as pessoas estão a reagir ao álbum, e, ao chegar cá, dou um concerto e recebo grande apoio e feedback do pessoal, é sempre muito bom. É uma sensação muito grande uma pessoa poder entrar num país em que não vive, mas sabe que as pessoas estão sempre a par e gostam do trabalho. Há sempre vontade de voltar outra vez. - Fora de Portugal, também comercializas o àlbum? Sir Scratch - Por acaso e infelizmente, ainda não, mas temos estado a tentar entrar em contacto com pessoal de Angola e Moçambique. Em Londres o meu irmão tem algumas cópias, e eu também vendi algumas na Irlanda, mas foi assim a amigos. Oficialmente, em lojas, ainda não, estamos a tentar, mas é difícil arranjar pessoal de confiança, é outro continente e tudo o mais, não podemos mandar 100 cd’s sem saber se o dinheiro vem ou não. Mas é uma possibilidade, estamos a tentar, até para expandir o trabalho e outras pessoas também poderem ouvir. - Este album reune trabalhos e ideias antigas ou todos os temas foram criados numa fase mais proxima? Sir Scratch - Foi tudo numa fase mais próxima da gravação, quer dizer, eu já estava com uma ideia de fazer isto do álbum “Cinema”, mas a maioria dos temas foram mudados conforme os instrumentais, porque eu sou daqueles artistas que prefere ter o instrumental primeiro e depois sim, desenvolver uma letras a partir daí, acho que é a forma musical em como as coisas se encaixam mais. - A nivel de convidados, foi dificil organizar e trabalhar com um leque tão vasto e distante? Como fizeste? Sir Scratch - Por acaso não foi muito difícil, metade dos artistas estavam cá, mas há artistas que eu ainda não conheço pessoalmente, como por exemplo o DJ Tombo, mas nos dias de hoje, com a internet, foi fácil. Foi falar ao telefone, ele mandar todo o material em pistas e foi feita a gravação. Mas a maioria dos convidados e produtores foram lá ao estúdio, tivémos juntos, trabalhámos e fizémos a cena, não foi muito difícil. - Vendes este àlbum como se fosse um filme, que inclui diversas personagens, entre as quais tu mesmo numa faceta de introspecção. Gostavas que as pessoas valorizassem mais esse lado do argumento? Sir Scratch - Sim, este álbum foi muito pessoal e acho que as pessoas não estavam à espera de um primeiro álbum assim, tão sério e pessoal. Mas era isso que eu queria dar a entender às pessoas, que olhassem primeiro para mim e percebessem quem é e o que pensa o Sir Scratch. Antes de eu estar a fazer uma coisa mais alternativa ou um trabalho mais brincalhão, queria que as pessoas percebessem quem é o Sir Scratch como pessoa e depois sim, o artista viesse a demonstrar outras facetas noutros trabalhos. - Ainda falta muito para o lançamento do álbum do teu irmão? Sir Scratch - O álbum do meu irmão está acabado, só falta mesmo a masterização e ele escolher o tipo de distribuição que vai ter. Não quero estar aqui a dizer datas porque já era para ter saido em Maio, mas talvez em Setembro o álbum dele apareça aí nas ruas. - E Plunasmo? É improvável imaginar um àlbum de grupo numa próxima metragem? Sir Scratch - Não, nós tentamos sempre dizer que vamos fazer isso mas, às vezes, o tempo é que não nos deixa estar juntos para nos concentrarmos num álbum e fazer algo compacto. Mas não sei, em princípio para o ano, se Deus quiser, vamos estar aí com um álbum dos dois ou até mesmo uma mixtape a circular aí na net so para o pessoal estar a sentir Plunasmo. Para já, no álbum dele, tal como foi no meu álbum, já tem pelo menos um tema nosso. - Estando longe...acompanhas o Hiphop nacional? De que forma? Sir Scratch - Sim, costumo acompanhar pela Internet, rádios online, pelo vosso site também – H2Tuga (que toda a gente sabe que é aquele site tipo bíblia do Hiphop, tem informação, o pessoal vai sempre lá) e também através dos amigos, telefonemas e etc. Mesmo televisão, também tenho TV Cabo lá, então estou a par de vídeos, programas, Beatbox e etc. Posso dizer que sempre que posso, estou a par. - E agora, o que é que o Sir Scratch anda a fazer? Sir Scratch - Agora, tenho feito concertos e divulgação do álbum, tenho estado em algumas participações aí de cenas que ainda estão para sair. Também estou a fazer agora um trabalho com o Mata-Frakuxz que é mais alternativo, uma mixtape que em princípio vai estar disponível na net, ainda sem data prevista, mas talvez em meados de Setembro também surja então aí um trabalho Sir Scratch e Mata-Frakuxz (ou Ikonoklasta para quem não conhece). Também tou a pensar no meu segundo álbum, ainda sem título sem nada, mas é só para o próximo ano, lá para o final. Se tivermos a inspiração e a força, saí ao mesmo tempo do álbum de Plunasmo (risos). - Para quem não tem nada a perder, o que ganhaste com este àlbum? Sir Scratch - Ganhei satisfação, o primeiro álbum é sempre uma coisa muito especial e acho que até agora tem corrido muito bem, têm aparecido muitas oportunidades, Sic Radical, Super Bock Super Rock, são cenas que eu nunca pensava. Ter o vídeo no Top20 da MTV, por exemplo, são tudo motivos de orgulho enquanto artista. Acho que é isso que tenho a ganhar, eu meti o meu trabalho nas ruas com humildade, numa editora independente e o pessoal tem-nos dado grande feedback e tenho estado a dar muitos concertos e acho que o próximo passo é mais álbuns, mais concertos e estar aí no topo com outros artistas. - Era uma abertura que imaginavas no Hiphop Nacional, há seis anos atrás quando partiste? Sir Scratch - Não, há seis anos atrás não imaginava nada disto. A primeira vez que o meu som tocou na rádio, acho que foi em 98, Plunasmo tocou na Antena3 e eu fiquei feliz, foi algo que nem me passava pela cabeça. Hoje, ter aí videoclips a passar e estar em grandes palcos, ao lado de Pharrel, 50 Cent, jamais imaginava e é mesmo grande orgulho estar lá a representar. Só espero que os artistas que estejam aí a aparecer possam ter as mesmas, ou até melhores, oportunidades de representar os seus trabalhos e que o Hiphop Nacional possa crescer. - Mensagem final / Agradecimentos... Sir Scratch - Queria agradecer pela entrevista, já tinha realizado uma entrevista para vocês, quando saiu a “Poesia Urbana Vol.1”, com o Lince, o Valete e o Adamastor, mas ainda não tinha feito entrevista sozinho. Também já o ano passado estava para actuar na festa de aniversário do site, mas infelizmente não pude, mas pronto, foi bom poder realizar esta entrevista agora. Queria também mandar prop’s aí ao pessoal que esteve envolvido no álbum, e também aqueles que estão sempre como o Bomberjack, Bob da Rage Sense, Tamin e o X-Acto que também tem actuado comigo. |
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